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    navegar
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    preciso

 

Esta é a primeira vez que a Rev.Nacional é dedicada a um tema. Um rio, o Nilo, e mais do que isso; uma civilização de quase 5.000 anos atrás, surgida no meio do deserto.

Um dos conceitos que mais me interessam na fotografia é o de realizar fotos que sejam atemporais, que não possam ser encaixadas em nenhum tempo determinado. Desprovidas de qualquer tipo de identificação, ou sinal, que permita inserir a imagem em algum tempo real determinado. O Egito, o rio Nilo, os templos dos faraós são campos experimentais perfeitos para este objetivo; é possível isolar o presente e jogar o visual das fotos na vala do passado imperfeito.

A oportunidade de passar dias, e noites, embarcado em uma dahabiya, subindo o rio Nilo, foi ao encontro do oriente de fantasia que por muitos anos –inspirada primeiro pelos filmes de Hollywood, depois com a descoberta das telas orientalistas dos pintores pompiers– esteve presente em meu imaginário. O escritor Pierre Loti foi minha primeira monografia. Salamabó, de Gustave Flaubert,  a primeira das leituras de aulas de francês em uma escola, de invernos frios, de uma Espanha que não existe mais. O mesmo Flaubert que com as confidências de seu Voyage en Égypte foi companheiro desta aventura (1).

Além dos colaboradores habituais temos o raro privilégio de contar, nesta edição, com os textos de dois ilustres personagens. Um deles, Manuel Cuyàs, antigo colega de escola e hoje um dos mais importantes jornalistas catalães –perspicaz observador da vida de perto, com coluna diária–, escreve sobre a descoberta do Egito através do cinema. O outro, Gabriel Kogan, é arquiteto brilhante formado pela FAU-USP e professor da Escola da Cidade. Ele fala sobre o modernismo e o Egito.

(1) Em Voyage en Égypte, depois de um de seus encontros com Sophia-Zougairah, amiga de Kuchiouk-Hânem, a moça que faz a “dança da abelha”, Flaubert a descreve como très corrompue, remuant, jouissant, petite tigresse. E, no fim, detalha: je macule le divan.

Tipografia
A Rev.Nacional é feita apenas com uma fonte; a Didot, criada por Firmin Didot (1764-1836). Quinta geração de uma família de tipógrafos e impressores, que se perpetuou até hoje em Mesnil-sur-l’Estrée.

Agradecimentos
Alexandra Brochen. Mario Sergio Conti. Ivan Marsiglia. Fernando Paiva. Ronaldo Bressane. Eduardo Monezi. Rafic Abdul Abel em Luxor,
Ahmed Menkhof no Cairo e Regis Panato, da Photouch, em São Paulo.

Capa. A pirâmide de Quéops vista dos jardins do hotel Mena House, no Cairo………………………..pág.1

Gustave Flaubert. O livro Voyage en Égypte e o chá de menta, companheiros indispensáveis em uma  jornada como esta……………………………..pág.2

As Pirâmides de Gizé & a Esfinge. Flávio Torres Corona e Neves, direto do Cairo, se mistura com os turistas e volta a embaralhar as linhas do tempo. Desta vez com os escritores que estiveram nestas terras 200 anos atrás…………………………………..pág.4

Arquitetura. O professor & arquiteto Gabriel Kogan escreve sobre a herança que os faraós deixaram para as construções modernas…………….pág.16

O rio Nilo. Um portfólio de imagens. Este é o resultado de uma semana a bordo da El Nil. Uma
dahabiya que, a vela, navega pelo rio que cruza o Egito e desafia o deserto…………………………………pág.20

O Egito imaginário. Desde Barcelona, o jornalista Manuel Cuyàs não consegue se esquecer das marcas que a careca de Yul Brynner, e o filme Os 10 Mandamentos, deixaram em sua adolescência…………pág.34

Aswan. A cidade mais ensolarada do planeta, onde Agatha Christie escreveu Morte no Nilo, e fronteira de duas civilizações, visitada por Maxime Gauthier……………………pág.30

Snaps. Uma sequência de fotos, feita através da janela de vários táxis em movimento, mostram como é o cotidiano das ruas em algumas cidades egípcias…………………….pág.40

Tut Ankh Amun & Howard Carter. A fabulosa descoberta da tumba de Tut Ankh Amun por Howard Carter & a terrível maldição do faraó contadas, com todos os detalhes que interessam, por Andrea Santana…………………………………pág.46

J.R.Duran